domingo, 3 de setembro de 2017

Respeito

Ao ler os livros de Reis e Crônicas, percebi que muitos dos reis que viveram suas vidas liderando o povo de Deus se desviavam dos caminhos do Senhor e outros que permaneciam firmes, eram responsáveis por quebrar imagens de outros deuses e queimar objetos e qualquer coisa relacionada à adoração desses deuses pagãos.

Essa atitude me lembrou de uma experiência que tive dentro de casa totalmente inversa. Antes de me converter e de aceitar a Jesus como meu Deus, eu não tinha uma religião para seguir, acreditava em Deus, mas não com muita convicção. Minha mãe era católica e tinha uma imagem de são Judas Tadeu em seu quarto.

Então, passamos a frequentar uma igreja evangélica e entendemos mais sobre Deus e sobre a fidelidade a Ele. Não é certo adorar outros deuses ou imagens, é o que Deus nos ensina por meio de sua palavra, a Bíblia.

“Não terás outros deuses além de mim.Deuteronômio 5:7

A partir daí, minha mãe decidiu não ter mais a imagem em seu quarto. Ela poderia fazer como os reis do antigo testamento, que usavam da razão, da noção de um único Deus e agiam com aquele tipo de atitude, completamente “racional”, pensando no certo e errado unicamente. Ela também poderia agir como Jesus no novo testamento, com amor e respeito aos outros que não tem a mesma fé, uma atitude “emocional”, que pensa no próximo, e não apenas o uso da razão, que pode ferir. Ela escolheu a segunda opção.

Fomos até uma igreja católica e ela deixou o santo para outras pessoas daquela fé. Creio que o amor de Deus é isso. É saber respeitar os outros e as outras crenças, mesmo que não sejam as suas, mas amando essas pessoas, pois é assim que Jesus agiria, com amor, não com ações radicais que escandalizassem. Ações radicais proporcionam outras ações radicais, como num ciclo vicioso. Ações racionais, mas que tem um fundo emocional, um fundo de preocupação e amor ao próximo, independente de sua fé, costumes, pensamentos, proporcionam mais ações semelhantes. São essas ações de amor que Deus quer que cultivemos.

E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’
Mateus 22:39

A partir do amor, podemos fazer com que pessoas, que não tem a mesma fé, possam nos ouvir, entendendo melhor como é ter apenas um Deus em suas vidas e como o amor de Deus é suficiente e nos preenche completamente.

O amor de Jesus ultrapassa as religiões. O amor de Jesus é eterno, é perfeito. É com esse amor que temos que contagiar as pessoas, com o amor de Deus!

Que Deus te abençoe.
Stéphanie Elise


Deixo aqui abaixo um texto que escrevi sobre uma cena lamentável que presenciei no dia primeiro desse mês. Que essa cena, juntamente com a mensagem acima, possam nos fazer ser pessoas melhores, que pensam no próximo como pensamos em nós mesmos.



“Hoje, quando voltava da faculdade, já na estação Uruguai, me deparei com uma cena que me deixou muito irritada, de verdade. A porta do metrô tinha sido aberta e as pessoas estavam tranquilamente entrando e saindo simultaneamente, como sempre. Entretanto, um homem, idoso, ao sair do metrô, esbarrou em uma moça, nova, que estava tentando entrar. Não foi descuido. Foi proposital. Ela começou a gritar, porque havia sido quase jogada no chão pela força do empurrão do homem. Sua amiga a ajudava nos gritos desesperados de mulheres que não aguentam mais serem vítimas de violência e nada acontecer a seu favor. O homem não virou. Continuou andando, calmamente, seguindo seu caminho, como se nada tivesse acontecido. Não pediu desculpas. Nenhum sinal de arrependimento. Foi proposital. Senti tanta raiva naquele momento. Ninguém prestou ajuda, a menina foi vítima de um empurrão “desnecessário”, não que outros são, mas aquilo foi ridículo! Não tinha necessidade. Se ele queria espaço para sair, ele tinha, não era esse o problema. Porque ele não se virou e pediu desculpas? Porque a violência contra a mulher, contra o ser humano está tão normal, que não é necessário... porque ele a empurrou? Talvez por ela ser negra? Ah é, esqueci desse detalhe, né? Como se fosse sempre uma justificativa para essas cenas lamentáveis. Ela era negra. Ah, esqueci de mais um detalhe! Havia mulheres brancas também naquele tumulto para entrar no metrô. Porque ele escolheu essa menina negra pra ser sua vítima? Nada justifica o que vi hoje. Para piorar, nenhum segurança do metrô ou qualquer outra pessoa foi ver o que estava acontecendo. Ninguém perguntou se a menina tinha se machucado. Nenhuma humanidade. Fiquei realmente indignada com essa cena e como ela foi vista como normal pelas pessoas ao redor, porque, afinal de contas, ninguém mexeu um dedo para nada naquele lugar. Agora, uma pergunta pra gente refletir: se eu tivesse, por acaso (e era minha vontade, sério), dado um chute “sem querer” ou um empurrão naquele homem, será que as reações seriam diferentes? Será que alguém ligaria? Afinal, eu estaria batendo em um senhor indefeso, né? Que estava somente querendo chegar no seu destino e foi interrompido por um empurrãozinho. Ah, pelo amor, né?! Fiquei e ainda estou indignada. Só não consegui falar com a menina porque a porta do metrô fechou. A última cena que vi foi a menina gritando dentro do metrô, com sua amiga, solidária, que também era negra e sente o que ela sente. Compaixão. Vamos ser mais humanos, por favor? Chega dessas coisas chatas todos os dias.”